Solar brasonado no qual a parte mais antiga data de 1660, encontrando-se em bom estado de conservação. Ardeu e foi reconstruído. Solar dos Bandeira Calheiros (Solar da Reguenga). Em 1580/1581, durante a luta pela sucessão originada pela morte de D. Sebastião, D. António (Prior do Crato), um dos pretendentes ao trono, andou seis meses escondido, abrigando-se quer em mosteiros quer em casas de apoiantes seus, como foi o caso neste solar.
Época/data de construção: Séculos XVII / XIX Cronologia de construção e intervenções realizadas e memória descritiva: Casa construída em três fases, iniciando-se a edificação no século XVII (apesar de apenas restarem alguns anexos em ruínas desta época) e datando a torre do século XIX. Um incêndio destruiu a casa (mas não a torre) no dia 14 de dezembro de 1999. A partir de então têm sido progressivamente feitas obras de recuperação. A capela, datada de 1660, tem um retábulo dos finais do século XVII que foi restaurado, tendo o tecto, originalmente em madeira, sido substituído por "tabopan" no século XX.
Importância histórica: A torre foi mandada fazer para guardar os pertences da família aquando das guerras liberais, uma vez que o célebre João Brandão, bandoleiro que se dizia apoiante do Setembrismo (movimento político que pretendia que o rei e a nobreza vissem os seus poderes restritos), invadiu a propriedade. Importância patrimonial e artística: O imóvel é um notável exemplo de arquitectura solarenga rural, destacando-se a harmonia da fachada e os anexos seiscentistas, assim como a torre. Características particulares: São dignos de menção a situação dominante da casa sobre a planície e os jardins em buxo da propriedade. Classificação arquitectónica: Arquitectura civil residencial privada: maneirista (capela e anexos rústicos da época); barroca (casa); revivalista (torre neo - medieval) Descrição detalhada: Casa de planta rectangular irregular com torre de construção posterior (século XIX) anexada a Este da fachada principal, servindo como corpo intermédio de ligação. A casa, composta por dois pisos, foi destruída por um incêndio em 1999, tendo sido depois parcialmente recuperada. No piso térreo encontram-se as lojas, a adega e a antiga cavalariça, onde ainda se observam vestígios da manjedoura, e no piso nobre a zona habitacional.
Desta, a cozinha e a copa não arderam, estando recuperados a biblioteca, a sala de jantar (com tecto em masseira), um quarto com quarto de banho, corredores e duas salas (também com tecto em masseira, acedendo-se directamente a uma delas pela escadaria de lanço duplo, em cantaria, adossada à fachada este). Há ainda um quarto de banho, na base da torre. Esta, comunicante com o restante corpo da casa através de uma porta gradeada, tem no exterior um alpendre em ferro e é constituída por quatro pisos, cada um deles ocupado por um quarto. O extremo norte do corpo da casa tem um alpendre em madeira e algumas dependências ainda não recuperadas (correspondentes a cinco quartos, um salão e três quartos de banho), tendo apenas sido colocado um telhado novo. Nesta mesma zona encontra-se um jardim em buxo e uma dependência de apoio à cozinha, com fornos de lenha. Na propriedade há ainda um antigo aviário e diversos anexos destinados ao apoio agrícola (lagares, palheiros, arrecadações de lenha e barracões para guardar alfaias agrícolas). Entre estes destaca-se o antigo "quartel", em alvenaria de pedra e com dois pisos. No de cima viviam os caseiros e em baixo, como é de regra neste tipo de imóvel, ficavam os bois. Há também ruínas de um lagar de azeite. Independente da casa e localizada a Oeste desta situa-se a capela, datada de 1660, dedicada a Santo António e com um retábulo em talha dourada de estilo maneirista. Um extenso lameiro estende-se a Sul da casa, enquanto vegetação constante de espécies diversas circunda o restante da propriedade. No Plano de Defesa Nacional das Forças Armadas Portuguesas está prevista a utilização desta casa como hospital de sangue em caso de guerra. IMPORTÂNCIA TURÍSTICA Impacto na simbologia nacional, regional e local: Esta propriedade desempenhou um importante papel no contexto das Lutas Liberais, entre 1822 e 1834. Possibilidade de integração em rotas turísticas: O concelho insere-se na Rota do Vinho do Dão.